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Nascido
em Janeiro de 1954 numa pequena aldeia de Trás-os-Montes
no norte de Portugal, o pequeno Albertino, enfrentou aos onze
anos de idade uma triste realidade.
Terminada a instrução primária, e perdido
o pai num trágico acidente de automóvel, ao pequeno
restavam duas alternativas, ou trabalhar nas campos de agricultura
da pequena aldeia, ou preparar a sacola, e partir em busca de
outro tipo de trabalho, em que o futuro fosse mais promissor .
Influenciado por alguns familiares, que viviam em Lisboa, o menino
decidiu partir.
Para traz ficavam os campos verdejantes dos montes da sua aldeia,
a tristeza da mãe e outros familiares que o viam partir,
os amigos de infância, com o Albertino partia também
a idade de ser menino.
Aos onze anos de idade, como um homem num corpo de criança
o Albertino rumava a Lisboa, para na cidade grande fazer frente
à vida, e desafiar o destino.
Na
capital Portuguesa o menino feito homem, tinha agora nas suas
mãos as rédeas do futuro. O trabalho numa mercearia
serviu-lhe de aprendizagem e de adaptação ao meio
que lhe era totalmente desconhecido, mas depois com o decorrer
do tempo, decidiu, que não ficaria por ali a pesar batatas
e feijões.De novo fez as malas e partiu.
As
oficinas de São José no Porto um estabelecimento
de ensino dirigido pela Igreja Católica parecia à
partida ao jovem Albertino a oportunidade ideal para continuar
os estudos, que tinha interrompido aos onze anos, mas a disciplina
imposta pelos sacerdotes, com mão de ferro, obrigou-o a
mudar de ideias e de planos.
Nos anos sessenta, os Portugueses saíam
em massa do País fugiam ás péssimas condições
económicas e sociais impostas por um regime ditatorial,
mas nesses tempos nem era possível a obtenção
de um passaporte, e a fuga de forma clandestina era a opção
encontrada pelos mais aventureiros. Na sua maioria fugiam para
França, onde a força dos braços que alugavam,
era melhor paga, e lhes permitia um melhor nível de vida.
E a partida para França começou
a estar nos planos do jovem Albertino. Com um amigo planearam
a fuga, desenharam a rota, escolheram o caminho para encurtar
a distancia entre Portugal e a terra prometida, juntaram o dinheiro
para financiar o plano, contas bem feitas entre os dois tinham
um total de cento e cinquenta escudos, dinheiro que nem chegava
para comprar mapas, e a França ali tão perto, ficou
impossível de alcançar.
Mas
o desejo de emigrar, de mudar a vida manteve-se, e uma carta de
chamada enviada do Canada pelo irmão Horácio, veio
tornar esse sonho em realidade. Aos quinze anos de idade, Albertino
da Cruz Domingues, que nunca se tinha sentado num avião,
chegava em Agosto de 1969 ao aeroporto de Toronto, Canada.Feliz
por realizar o sonho, e também por o esperarem familiares
que quem tinha saudade.
O menino de aldeia, forçado pelo destino
a emigrar para Lisboa, e com uma breve passagem pelo Porto, onde
o desejo de estudar, não foi longe, com os planos irrealizáveis
de alcançar a França, encontrava-se agora num dos
maiores países do mundo, o Canadá.
Língua, gentes, e culturas diferentes, um mundo totalmente
novo, mas o jovem Albertino sentia-se pronto a aceitar o desafio,
e a vencer todos os obstáculos.
Foi nos campos agrícolas de Chattam,
a algumas centenas de quilómetros a sudoeste de Toronto,
a apanhar tomates por empreitada, e a ganhar quinze cêntimos
por cabaz, a estreia de Albertino, no mercado de trabalho do Canadá.
Terminada a época agrícola regressa a Toronto, e
decide frequentar a escola para aperfeiçoar os conhecimentos
da língua Inglesa, mas dois meses depois ao completar dezasseis
anos, e porque com aquela idade, já podia legalmente trabalhar,
e também por razoes económicas decide que seria
melhor trocar a escola pelo trabalho: Perseguindo sempre uma vida
melhor, e sem outras alternativas o jovem Albertino, deixa as
cadeiras da escola, para no trabalho ir aprendendo na universidade
da vida.
Novo trabalho numa fábrica de motores
de arranque e alternadores constituiu uma nova experiência
e a oportunidade de ganhar um pouco mais.
Com a chegada da Primavera chegou também, o momento de
trocar de profissão e ir trabalhar no sector da construção
civil, onde se manteve ao longo de cinco anos.
Aos vinte anos casou, e traçava
novo rumo na vida dando os primeiros passos no sector de trabalho
em que mais tarde se viria a estabelecer.
Como condutor de um uma firma de distribuição de
carne para talhos e supermercados, o jovem Albertino veio a descobrir
a sua veia empresarial.
Em
1976, para subsidiar a sua primeira aventura empresarial trocou
o seu adorado carro Camaro, por uma pequena carrinha, onde improvisou
nas traseiras uma caixa de madeira, e distribuía carne
por conta própria , para vários estabelecimentos
, na sua maioria na comunidade Portuguesa de Toronto e arredores.
Com muito trabalho, e persistência, Albertino
e Rosa a sua esposa foram superando todas as dificuldades, e engrandecendo
a empresa a A.C.D. Wholesale Meats que ocupa hoje um lugar de
destaque, sendo uma das maiores do ramo em toda a província
do Ontário.
Albertino da Cruz Domingues, um homem com uma
secreta paixão pela poesia, um repentista com uma grande
facilidade para improvisar versos, provou também na prática
da vida, que um homem pode traçar o seu próprio
destino, improvisando caminhos , para atingir objectivos.
Que sejamos unidos, e em conjunto como
comunidade possamos construir um centro comunitário que
reúna as melhores condições onde toda a comunidade
de língua Portuguesa, se possa reunir e confraternizar,
é um sonho que o Albertino gostaria de ver realizado, um
centro em que todos nós nos sentíssemos como em
casa, e que constituísse motivo, não só para
nós como também para as gerações futuras.
Com a força de vontade e persistência que o Albertino
sempre ao longo dos anos tem vindo a mostrar, o sonho será
possível realizar.
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